Coro dos Descontentes

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Eu sou do coro dos descontentes
E quero estar afinado
para cada desafio dado
não dá pra ficar calado
com gente atirando de todos os lados
Se não merece, não reclame
se quer bater, permita que apanhe
se sabe pouco, não conclua pensamento
se não és combustível, não abasteça movimentos
não ouviram o Sergio Barros ?
sobre respeitar os passos dados por qualquer um
DE QUALQUER LADO
mesmo cantando desafinado ?
Se não quer contribuir
não cumprimente Eliaquim
não vá na casa dos Uchôa
Se conseguiu nadar sozinho
não derrube as canoas
Eu sou do coro dos descontentes
e quero usar minha voz
com a voz de todas as gentes
e não preciso desafiar ninguém para parecer diferente

DEPOIS QUE ROUBOU UM BEIJO

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Roubou um beijo?
ou comprou um corpo?

Comprou com um beijo
um pedaço de corpo
Comprou com um beijo
um sacio de teu gosto

em cima sempre
pra se fazer cachoeira

o nariz que te cheira
não é o nariz que tu almeja

teu corpo violão
não sacia teu toque, melodia
nem poderia saciar essa alma fria
que sofre em escrever tal poesia
de angústia e solidão

objeto incerto

alguém sem afeto
acostumado com ritmo de melancolia
decretado e fadado à contramão
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Poderia ter pés pros meus sentidos
Pra viajar nesse abstrato proibido
Algo do doce
Algo da dose
Alguns antes da doze 
Aterrissar com paciência
Aterrissar nessa deiscência
Da decência
Da prisão sem grades
Rotina secreta nos vales
Valendo a valia da azia
Talvez sumir
E subir pra um degrau mais baixo
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Me machucou
extraiu do meu coração
aquilo que estava a sete chaves
Maldita!

Raiva!

rasgou-me no efeito clava
deixando-me sem virilidade.
é tudo ambíguo e desigual
nada de novo, mas é surreal
Tuas aspas me parecem aspargos
Diuréticos da minha dieta
me fez potente
me fez poeta
 

Brendo Vieira © 2010

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