DEPOIS QUE ROUBOU UM BEIJO

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Roubou um beijo?
ou comprou um corpo?

Comprou com um beijo
um pedaço de corpo
Comprou com um beijo
um sacio de teu gosto

em cima sempre
pra se fazer cachoeira

o nariz que te cheira
não é o nariz que tu almeja

teu corpo violão
não sacia teu toque, melodia
nem poderia saciar essa alma fria
que sofre em escrever tal poesia
de angústia e solidão

objeto incerto

alguém sem afeto
acostumado com ritmo de melancolia
decretado e fadado à contramão
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Poderia ter pés pros meus sentidos
Pra viajar nesse abstrato proibido
Algo do doce
Algo da dose
Alguns antes da doze 
Aterrissar com paciência
Aterrissar nessa deiscência
Da decência
Da prisão sem grades
Rotina secreta nos vales
Valendo a valia da azia
Talvez sumir
E subir pra um degrau mais baixo
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Me machucou
extraiu do meu coração
aquilo que estava a sete chaves
Maldita!

Raiva!

rasgou-me no efeito clava
deixando-me sem virilidade.
é tudo ambíguo e desigual
nada de novo, mas é surreal
Tuas aspas me parecem aspargos
Diuréticos da minha dieta
me fez potente
me fez poeta

Sopa de pedras

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Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias pra fora, sentimentos pra trás
agora é fogo na lata, o resto... nem lembro mais

Só lembro da dor que é passar o dia
juntando dinheiro de forma honesta
vagando pedindo, trabalhando, e não roubando

Chego no mercado, ganho um companheiro
que só por causa do meu cheiro
acha que vou roubar
-Você me viu vigiando carro a manhã inteira
ainda pensa que eu penso que quero te assaltar ?

Escolhi esse local
por causa da freguesia
por causa da pessoa que quero me tornar um dia

Visível invisível
vagabundo proletário
Agradeço pela esmola
mas desejo um salário

Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias são historias, sentimentos lá pra trás
agora é fogo na lata e o resto nem lembro mais.
 

Brendo Vieira © 2010

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