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Poderia ter pés pros meus sentidos
Pra viajar nesse abstrato proibido
Algo do doce
Algo da dose
Alguns antes da doze 
Aterrissar com paciência
Aterrissar nessa deiscência
Da decência
Da prisão sem grades
Rotina secreta nos vales
Valendo a valia da azia
Talvez sumir
E subir pra um degrau mais baixo
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Me machucou
extraiu do meu coração
aquilo que estava a sete chaves
Maldita!

Raiva!

rasgou-me no efeito clava
deixando-me sem virilidade.
é tudo ambíguo e desigual
nada de novo, mas é surreal
Tuas aspas me parecem aspargos
Diuréticos da minha dieta
me fez potente
me fez poeta

Sopa de pedras

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Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias pra fora, sentimentos pra trás
agora é fogo na lata, o resto... nem lembro mais

Só lembro da dor que é passar o dia
juntando dinheiro de forma honesta
vagando pedindo, trabalhando, e não roubando

Chego no mercado, ganho um companheiro
que só por causa do meu cheiro
acha que vou roubar
-Você me viu vigiando carro a manhã inteira
ainda pensa que eu penso que quero te assaltar ?

Escolhi esse local
por causa da freguesia
por causa da pessoa que quero me tornar um dia

Visível invisível
vagabundo proletário
Agradeço pela esmola
mas desejo um salário

Hoje eu me entrego a essa sopa de pedras
memórias são historias, sentimentos lá pra trás
agora é fogo na lata e o resto nem lembro mais.

Estou bem

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Estou bem
me sinto livre, como se estivesse sempre caindo
âncora partida ao meio rumo ao fundo do mar inexplorado

Estou bem
estou bem
não ligo ao limpar os olhos com folhas de urtiga
é só uma fase
vai passar logo
assim como a morte é só um estágio depois da vida


Não sei se é uma frase pra se manter otimista
ou desculpa preguiçosa pra não se revelar
não sei, não sei
só sei que estou bem
EU ESTOU BEM!
 

Brendo Vieira © 2010

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